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O Tronco, o Guarda-Roupa e a Bússola!

Meu sincero e fraterno saravá a todos! Comumente, em alguns dos meus artigos, tenho chamado atenção para um tema, que muito me preocupa, as relações de Pais/Mães-de-Santo com seus respectivos filhos-de-santo e vice-versa. Debruço-me bastante sobre esse tema, por entender que esta relação é a célula principal da formação de um terreiro. Em um terreiro geralmente temos o dirigente (Pai/Mãe-de-Santo), os filhos-de-santo e a assistência (freqüentadores habituais ou não). O dirigente é quem se dispôs a comandar um templo religioso, seja por missão, por dar continuidade a uma hereditariedade, por desejar contribuir desta forma com a religião ou mesmo por gratidão ao mundo espiritual umbandista. Os filhos-de-santo são todos aqueles que de uma forma ou de outra, seja qual for o motivo que os levaram a bater na porta de um templo umbandista, resolveram abraçar a fé de boa-vontade e se identificaram com a religião, com a casa que freqüenta e com o dirigente da mesma. Os freqüentadores fazem part...

A Umbanda - Fazer e Acontecer!

Uma reflexão e macrovisão do movimento umbandista. A Umbanda completa, no próximo ano (2008), 100 anos. O movimento umbandista já se prepara para comemorar este fato histórico. Estamos chegando ao final da primeira década do séc. XXI, momento propício para realizarmos uma reflexão sobre a religião, avaliando conquistas, analisando o cenário atual, reconhecendo dificuldades e perspectivas para a próxima década. Acredito, sinceramente, que todo umbandista, independente da coletividade em que atue e da forma que se caracterize sua práxis religiosa, em algum momento tenha procurado formatar uma macrovisão da Umbanda. Independente de estar completamente definida, essa macrovisão, possibilita a todos nós um guia seguro que alicerça de racionalidade a nossa fé, estabiliza o nosso dia-a-dia umbandista, edifica a nossa conduta moral e ética religiosa e parametriza a nossa ação individual e coletiva no constructo da Umbanda. Incontestável o advento do Caboclo das 7 Encruzilhadas e indelével o tr...

Quaresma - isso não te pertence, umbandista!

Com a aproximação da semana denominada de santa e o distanciamento do período monino, estamos completando o que os católicos chamam de Quaresma. A palavra Quaresma vem do Latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a Ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa. Esta prática segundos alguns, se consolidou no final do século III, tendo sido citado no 1° Concílio de Nicéia, no ano 325. Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, ressuscitado no Domingo de Páscoa. Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas pr...

Dostoiévski está certo!

"Eu sou um homem ridículo. Agora eles me chamam de louco. Isso seria uma promoção, se eu não continuasse sendo para eles tão ridículo quanto antes. Mas agora já nem me zango, agora todos eles são queridos para mim, e até quando riem de mim- aí é que são ainda mais queridos. Eu também riria junto- não de mim mesmo, mas por amá-los, se ao olhar para eles não ficasse tão triste. Triste porque eles não conhecem a verdade, e eu conheço a verdade. Ah, como é duro conhecer sozinho a verdade! Mas isso eles não vão entender. Não, não vão entender." Fonte: Do livro "Duas Narrativas Fantásticas, de Fiódor Dostoiévski, tradução direto do original de Vadim Nikitin, Editora 34. Excerto de post do Blog do TAS publicado em: http://marcelotas.blog.uol.com.br/arch2007-03-16_2007-03-31.html

Carta Aberta a todos os Umbandistas!

Fortaleza, 02 de janeiro de 2007. Caros irmãos umbandistas! Meu sincero e fraterno Saravá a todos! Em muito dos artigos publicados aqui no blog, apresentamos realidades às vezes cruas e nada agradáveis, que ainda existem no seio do movimento umbandista, no intuito de cooperarmos na formação de uma consciência crítica e de colaborarmos no alicerce de uma fé racional dos nossos irmãos. Não o fazemos por nos considerarmos donos da verdade ou melhores que os demais, mas por acreditarmos, que todos os umbandistas devem exercer o direito inalienável de opinião e discernimento, além de poder se expressar livremente. Devemos colaborar com a formação de uma filosofia moral e comportamental, que balize a atuação de todos nas coletividades umbandistas em que atuamos e na interação destas com a sociedade em geral. Já nos basta termos que enfrentar o preconceito, que ainda persiste na sociedade e na mídia. A nós umbandistas cabe aperfeiçoar o movimento e combatermos ferrenhamente as discrepâncias e...

Que Deus é esse?

Ao dirigir hoje pela rua, me deparei com uma frase, no vidro traseiro de um carro, que me chamou a atenção e dizia o seguinte: "O meu Deus é um Deus de milagres" Acredito, que é possível se perceber o posicionamento errôneo de tal assertiva, senão vejamos: 1) Quando se diz "O meu Deus (...)" se incorre em dois erros graves: a) Se coloca Deus, como pertencente a pessoa, como sua propriedade, enquanto somos nós que pertencemos, ou melhor colocando, somos filhos de Deus. b) Ao pronunciar tais palavras, abrimos para existência de tipos de Deus, pelo menos fica implícito de cara, que se existe "O meu Deus", sendo este diferente do Deus dos outros. 2) "O meu Deus (...)" então é discriminatório e religiosamente incorreto. Discriminatório, tendo em vista, o colocado no sub-item "b" e religiosamente incorreto, no instante, que Deus deixa de ser um só, para ficar dividido em diversos tipos. 3) Ao caracterizar este meu Deus como "(...) um Deu...

Ai Ei Eiô, Mamãe Oxum!

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OXUM Salve o dia 08 de Dezembro! Ai Ei Eiô, Mamãe Oxum! Mitos, Lendas, Associações e principais características! Logo que todos os Orixás chegaram à terra, organizavam reuniões das quais mulheres não podiam participar. Oxum, revoltada por não poder participar das reuniões e das deliberações, resolve mostrar seu poder e sua importância tornando estéreis todas as mulheres, secando as fontes, tornando assim a terra improdutiva. Olodumaré foi procurado pelos Orixás que lhe explicaram que tudo ia mal na terra, apesar de tudo que faziam e deliberavam nas reuniões. Olodumaré perguntou a eles se Oxum participava das reuniões, foi quando os Orixás lhe disseram que não. Explicou-lhes então, que sem a presença de Oxum e do seu poder sobre a fecundidade, nada iria dar certo. Os Orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos e reuniões, e depois de muita insistência, Oxum resolve aceitar. Imediatamente as mulheres tornaram-se fecundas e todos os empreendimentos e projetos obtiveram resu...

Eparrei Minha Mãe Iansã!

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IANSÃ Salve o Dia 04 de Dezembro! Eparrei Oyá! Mitos, Lendas, Associações e Principais Características Senhora da Tarde, Dona dos Espíritos, Senhora dos Raios e das Tempestades. Oyá, mais conhecida no Brasil como Yansã, foi uma princesa real na cidade de Irá, na Nigéria em 1450a.C.. Sobrinha-neta do rei Elempe e neta de Torossi(mãe de Xangô), conquistou com valentia, coragem e dedicação seu caminho para o trono de Oyó. Conhecedora de todos os meandros da magia encantada, nunca se deixou abater por guerras, problemas e disputas. Foi mulher de seu primo Xangô e ajudou-o a conquistar vários reinos anexados ao Império Yorubano. Porém, abandonou-o em defesa de sua cidade natal, disposta a enfrentá-lo. Oyá recebeu, de Olorun, a missão de transformar e renovar a natureza através do vento, que ela sabe manipular. O vento nem sempre é tão forte, mas, algumas vezes, forma-se uma tormenta, que provoca muita destruição e mudanças por onde passa, havendo uma reciclagem natural. Normalmente, Oyá ...

Maslow, Buda e a Umbanda!

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"Um músico deve compor, um artista deve pintar, um poeta deve escrever, caso pretendam deixar seu coração em paz. O que um homem pode ser, ele deve ser. A essa necessidade podemos dar o nome de auto-realização." Abraham Harold Maslow (1908 - 1970) A Umbanda é um caminho real para evolução espiritual! Um dia ao se atravessar o grande portal, que a Umbanda abre para todas as consciências, fica muito difícil enveredar por outra estrada, ou realizar o caminho de volta para sair pela porta que entrou. De certa forma é válido as palavras: "Quem está fora não queira entrar, quem está dentro não deseje sair." Na sua essência, se deseja expressar, que a Umbanda é uma viagem sem retorno. Uma vez vivida a experiência, jamais seremos os mesmos novamente. Não, amigo leitor, não são palavras que desejam atemorizar ao leigo e o neófito, não existe nada na Umbanda que se deva temer, nem tão pouco, algo que impeça alguém de sair. Qualquer coisa que indique o contrário, são mitos, ...